Responsável pela palestra magna da abertura do 2º  Simpósio Internacional sobre Gestão Ambiental e Controle de Contas Públicas (Sigam), promovido pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado do Amazonas), o do biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, 69, chama a atenção para a preservação da Amazônia. Segundo ele, o interesse estrangeiro na Amazônia não é de domínio geopolítico da região, mas na manutenção do ecossistema.

“É o interesse de todos”, declara o biólogo, que é ex-conselheiro-chefe de biodiversidade no Banco Mundial, o que o credencia como especialista nas potencialidades econômicas naturais. Em Manaus, proferirá a palestra Florestas e Biodiversidade, às 20h30, no auditório do TCE.  Ele é autor do artigo “Transamazônica: estrada para a extinção?” publicado em 1972.

Para ele, “medidas mais agressivas” de outros países contra o governo Bolsonaro, se existirem, serão econômicas. “Um pequeno começo seria restringir a importação de produtos agrícolas frutos do desmatamento local”, disse à Folhapress.

Lovejoy diz que o agronegócio, por exemplo, sairia ganhando se visse a Amazônia como “galinha dos ovos de ouro”. Se a floresta morre, as chuvas na região secam, e o lucro evapora junto. Segundo o biólogo, há esforços de corporações privadas para entender as mudanças climáticas e financiar projetos que contenham o avanço dos danos à natureza.

O biólogo diz que o Banco Mundial pôs US$ 1 milhão num estudo que projeta pela primeira vez os efeitos de mudança do clima, queimada e desmatamento juntos. “Os resultados sugerem que poderia haver um ponto de inflexão em 20% de desmatamento (da floresta original). Estamos bem perto, 18%. Isso significa que áreas do sul e sudeste da mata vão começar a secar e se transformar em cerrado. É como jogar uma roleta de `dieback’ (colapso) na Amazônia.

Estudioso da Amazônia há quatro décadas, o cientista diz que em 1972 ninguém tinha a capacidade de imaginar a soma de desmatamento que ocorreu. “Lembro quando as primeiras imagens de satélite saíram, nos anos de 1980. Todos ficaram surpresos. Também houve boas surpresas. Uma é a força da ciência brasileira aplicada na Amazônia. A outra é a consciência pública, que, em geral, é bastante alta no Brasil. E também a extensão das áreas protegidas, incluindo as demarcações de fronteiras indígenas. Tudo isso junto protege 50% da Amazônia, o que é impressionante”.

Indagado sobre se o Brasil é capaz de cuidar sozinho da Amazônia, Lovejoy responde: “O BNDES tem de ser cuidadoso com os projetos de infraestrutura, pois há todos os outros países (amazônicos). O Brasil não deveria segurar a responsabilidade sozinho. A Amazônia é um elemento-chave no funcionamento do mundo. É do interesse de outros países ajudar o Brasil”.

Texto: Folhapress | Foto: Alan Marques (Folhapress)